«Merecidamente premiado como Melhor Álbum do Ano pelo Festival da Amadora, “Tu és a mulher…” começa logo por tocar alguns dos equívocos associados à bd, metaforicamente materializados na tempestuosa relação entre o protagonista Tomás (autor de bd), e a sua mulher Elsa, artista plástica “séria”, no pior sentido da palavra. Ainda por cima, enquanto Elsa se revela irredutível na busca de consagração, Tomás debate-se com uma confrangedora falta de ideias. Autor bloqueado, a mais miserável das profissões. “Tu és a mulher…” é pois a crónica dessa angústia, do caminho libertador que conduz o argumentista até à sua história; e que é, no fundo, a própria história. Um caminho cuja inclinação gradual se explana de um modo suave, com Brito a aproveitar os diálogos (sobre arte, sexo, relações, bd, nada) para dar espessura às personagens, para as vestir com uma lógica individual interna, quase sem darmos por isso. É certo que há também algumas simplificações evidentes, da inspiração feita magia, ao final abrupto da relação entre Tomás e Elsa, uma morte anunciada na primeira vez em que os vemos juntos. Mas o seu peso é menorizado pelo espectacular trabalho gráfico de João Fazenda, que criou para o argumento um tom muito próprio, sinalizado logo no uso ortográfico do vermelho». © João Ramalho Santos in Bedeteca Ideal
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«Merecidamente premiado como Melhor Álbum do Ano pelo Festival da Amadora, “Tu és a mulher…” começa logo por tocar alguns dos equívocos associados à bd, metaforicamente materializados na tempestuosa relação entre o protagonista Tomás (autor de bd), e a sua mulher Elsa, artista plástica “séria”, no pior sentido da palavra. Ainda por cima, enquanto Elsa se revela irredutível na busca de consagração, Tomás debate-se com uma confrangedora falta de ideias. Autor bloqueado, a mais miserável das profissões. “Tu és a mulher…” é pois a crónica dessa angústia, do caminho libertador que conduz o argumentista até à sua história; e que é, no fundo, a própria história. Um caminho cuja inclinação gradual se explana de um modo suave, com Brito a aproveitar os diálogos (sobre arte, sexo, relações, bd, nada) para dar espessura às personagens, para as vestir com uma lógica individual interna, quase sem darmos por isso. É certo que há também algumas simplificações evidentes, da inspiração feita magia, ao final abrupto da relação entre Tomás e Elsa, uma morte anunciada na primeira vez em que os vemos juntos. Mas o seu peso é menorizado pelo espectacular trabalho gráfico de João Fazenda, que criou para o argumento um tom muito próprio, sinalizado logo no uso ortográfico do vermelho». © João Ramalho Santos in Bedeteca Ideal