«...temos de novo diante dos olhos a série sucessiva das encarnações europeias. Europa é um nome flutuante e que durante muito tempo não soube a que realidades exactamente aplicar-se. A Europa é um equilíbrio de poderes, um balanço de forças, uma balança de estados rivais. A Europa é uma pátria ideal, o ideal de pátria das elites liberais do Século XVIII. A Europa é inimigo, o adversário das nações e à cabeça a nação francesa, a grande nação, exemplo e modelo dos países liberais. A Europa é um remédio desesperado porque nunca se falou tanto de Europa, nunca se pensou tanto em Europa como desde o tratado de Versailles, entre 1920 e hoje, porque foi então que a Europa se revelou como noção de crise, um refúgio, uma última esperança de salvação... Mas como fazê-la, esta Europa? Se ela não assenta em nenhuma realidade, se não vai buscar a sua realidade a nenhum precedente? Como? Para concluir como historiador: Europa, parece que o dado é ou demasiado vasto, porque a palavra abarca não uma, mas várias unidades políticas e culturais distintas, ou demasiado restrito, pois já não podemos referir-nos à Europa sem nos referirmos ao universo inteiro...» Lucien Febvre
Estas lúcidas e premonitórias palavras de Lucien Febvre, um dos maiores historiadores franceses do século que há pouco acabou, demonstram bem a actualidade desta obra e a sua importância para entendermos o passado e o presente da Europa e evitarmos problemas futuros na construção de uma entidade que é ainda, em grande parte, mítica.
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«...temos de novo diante dos olhos a série sucessiva das encarnações europeias. Europa é um nome flutuante e que durante muito tempo não soube a que realidades exactamente aplicar-se. A Europa é um equilíbrio de poderes, um balanço de forças, uma balança de estados rivais. A Europa é uma pátria ideal, o ideal de pátria das elites liberais do Século XVIII. A Europa é inimigo, o adversário das nações e à cabeça a nação francesa, a grande nação, exemplo e modelo dos países liberais. A Europa é um remédio desesperado porque nunca se falou tanto de Europa, nunca se pensou tanto em Europa como desde o tratado de Versailles, entre 1920 e hoje, porque foi então que a Europa se revelou como noção de crise, um refúgio, uma última esperança de salvação... Mas como fazê-la, esta Europa? Se ela não assenta em nenhuma realidade, se não vai buscar a sua realidade a nenhum precedente? Como? Para concluir como historiador: Europa, parece que o dado é ou demasiado vasto, porque a palavra abarca não uma, mas várias unidades políticas e culturais distintas, ou demasiado restrito, pois já não podemos referir-nos à Europa sem nos referirmos ao universo inteiro...» Lucien Febvre
Estas lúcidas e premonitórias palavras de Lucien Febvre, um dos maiores historiadores franceses do século que há pouco acabou, demonstram bem a actualidade desta obra e a sua importância para entendermos o passado e o presente da Europa e evitarmos problemas futuros na construção de uma entidade que é ainda, em grande parte, mítica.