Nenhuma grande figura da nossa História é tão desconhecida como Pedro Álvares Cabral. A concentração dos documentos num só momento da sua vida parecia condenar o grande navegador a ser, na História, uma espécie de meteoro, iluminado e logo extinto junto ao Cruzeiro do Sul… Metzner Leone, habituado ao estudo psicológico das personagens da Ficção e da História, e marcado pelas disciplinas de objetividade que fazem o verdadeiro jornalista, soube arrancar da penumbra dos arquivos e salvar da luz deformante das ideologias o primeiro homem que uniu numa só viagem os quatro grandes continentes, completando o quadro das navegações oceânicas do século XV. Uma biografia de Cabral parecia uma tarefa impossível de realizar. E seria de fato impossível para quem não dispusesse simultaneamente de uma audaciosa imaginação e de um respeito sagrado pela verdade. Em toda obra de interpretação, abre-se uma margem mais ou menos larga, em que são possíveis, e até indispensáveis, as opções pessoais. O historiador não pode limitar-se a fornecer ao leitor a secura das fontes. Menos ainda o biógrafo, de quem o público espera, com alguma razão, a capacidade de cor e de vida que em geral se encontra no romancista. A obra que a Editorial Aster tem o prazer de apresentar ao vasto público português e brasileiro escapa aos dois perigos em que era fácil cair: o cientismo rígido e a fantasia fascinante. Mas o leitor mais exigente de prosa máscula e desempoeirada verá que esta biografia de Pedro Álvares Cabral não é uma obra “moderada”, feita com o cuidado doentio de evitar escolhos: para que nela revivessem, como revivem, uma época e um homem, o seu autor começou por viver intensamente o drama desse homem e dessa época. E a obra que escreveu tem o vigor e a veracidade de um testemunho. O público há de encontrar nela o sabor do inesperado.
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Nenhuma grande figura da nossa História é tão desconhecida como Pedro Álvares Cabral. A concentração dos documentos num só momento da sua vida parecia condenar o grande navegador a ser, na História, uma espécie de meteoro, iluminado e logo extinto junto ao Cruzeiro do Sul… Metzner Leone, habituado ao estudo psicológico das personagens da Ficção e da História, e marcado pelas disciplinas de objetividade que fazem o verdadeiro jornalista, soube arrancar da penumbra dos arquivos e salvar da luz deformante das ideologias o primeiro homem que uniu numa só viagem os quatro grandes continentes, completando o quadro das navegações oceânicas do século XV. Uma biografia de Cabral parecia uma tarefa impossível de realizar. E seria de fato impossível para quem não dispusesse simultaneamente de uma audaciosa imaginação e de um respeito sagrado pela verdade. Em toda obra de interpretação, abre-se uma margem mais ou menos larga, em que são possíveis, e até indispensáveis, as opções pessoais. O historiador não pode limitar-se a fornecer ao leitor a secura das fontes. Menos ainda o biógrafo, de quem o público espera, com alguma razão, a capacidade de cor e de vida que em geral se encontra no romancista. A obra que a Editorial Aster tem o prazer de apresentar ao vasto público português e brasileiro escapa aos dois perigos em que era fácil cair: o cientismo rígido e a fantasia fascinante. Mas o leitor mais exigente de prosa máscula e desempoeirada verá que esta biografia de Pedro Álvares Cabral não é uma obra “moderada”, feita com o cuidado doentio de evitar escolhos: para que nela revivessem, como revivem, uma época e um homem, o seu autor começou por viver intensamente o drama desse homem e dessa época. E a obra que escreveu tem o vigor e a veracidade de um testemunho. O público há de encontrar nela o sabor do inesperado.