Lisboa, 1949
«Este livro tem em fundo a Velha Europa em agonia militar. Enquanto ia sendo escrito, entre 1944 e 1948, deu-se o avanço soviético na Polónia e na Crimeia, na Finlândia, Estónia, Roménia e Hungria; os aliados entraram em Roma, desembarcaram na Normandia, e tomaram Paris e Bruxelas; deu-se o encontro de Ialta entre Estaline, Churchill e Roosevelt; os soviéticos tomaram Berlim e os americanos Nuremberga; os alemães renderam-se incondicionalmente em Reims e os japoneses na Baia de Tóquio, depois dos americanos lançarem bombas atómicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Em 1949, quando por fim surgiu a 1ª edição de Os Pilares da Democracia, a Europa ocidental estava já sob a protecção de uns EUA que executavam o «Plano Marshall» e aceitavam integrar a Aliança Atlântica. Foi por essa altura que Mário Saraiva (1910-1998) ousou perguntar, no prólogo: "Será a Democracia o regime do próximo futuro?» José Manuel Quintas «os partidos não se formam de baixo para cima, mas ao contrário, como empresa de um grupo que institui o partido, o qual fabrica uma maioria e depois governa em nome da maioria que fabricou. Aí está precisamente a burla. Proclama-se que o povo é soberano quando na verdade, por intermédio do voto, a soberania é entregue a outrém. O regime de partidos outra coisa não é que a centralização do poder nas mãos de uns poucos, os poucos que pertencem aos directórios partidários.»
€15
Lisboa, 1949
«Este livro tem em fundo a Velha Europa em agonia militar. Enquanto ia sendo escrito, entre 1944 e 1948, deu-se o avanço soviético na Polónia e na Crimeia, na Finlândia, Estónia, Roménia e Hungria; os aliados entraram em Roma, desembarcaram na Normandia, e tomaram Paris e Bruxelas; deu-se o encontro de Ialta entre Estaline, Churchill e Roosevelt; os soviéticos tomaram Berlim e os americanos Nuremberga; os alemães renderam-se incondicionalmente em Reims e os japoneses na Baia de Tóquio, depois dos americanos lançarem bombas atómicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Em 1949, quando por fim surgiu a 1ª edição de Os Pilares da Democracia, a Europa ocidental estava já sob a protecção de uns EUA que executavam o «Plano Marshall» e aceitavam integrar a Aliança Atlântica. Foi por essa altura que Mário Saraiva (1910-1998) ousou perguntar, no prólogo: "Será a Democracia o regime do próximo futuro?» José Manuel Quintas «os partidos não se formam de baixo para cima, mas ao contrário, como empresa de um grupo que institui o partido, o qual fabrica uma maioria e depois governa em nome da maioria que fabricou. Aí está precisamente a burla. Proclama-se que o povo é soberano quando na verdade, por intermédio do voto, a soberania é entregue a outrém. O regime de partidos outra coisa não é que a centralização do poder nas mãos de uns poucos, os poucos que pertencem aos directórios partidários.»