Em 1979, José Saramago organizou a primeira antologia da obra poética de Armindo Rodrigues, seleccionando 185 poemas de um “monumento de mil seiscentos e tantos poemas” que Armindo Rodrigues escreveu ao longo da sua vida [1904-1993].
Em “Alguns dizeres sobre Armindo Rodrigues e esta antologia“, em jeito de texto introdutório, José Saramago escreve: «A antologia perfeita será provavelmente aquela que, gracas a escrúpulos minuciosos de dosagem, rigorosa equidade e imparcialidade de juízo, consiga apresentar, da produção de qualquer poeta, uma imagem que não, obstante a forçosa abreviação quantitativa, conserve a figuração geral dos temas e dos modos, com entrada proporcional de todos os elementos textuais constituintes da obra. Qualquer coisa, enfim, como uma redução à escala e um quebra-cabeças. Porém, ai de nós, a perfeição não pertence a este mundo, nem sei se a qualquer outro. A perfeita antologia não existe. […] A antologia é o estádio mais avançado da leitura pessoal, maneira particular de apropriação do poema, re-escrita. Mais ainda: é sempre leitura pessoal em conjuntura, tanto do ponto de vista do antologiador como da situação da obra no tempo e da relação do tempo com a obra.»
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Em 1979, José Saramago organizou a primeira antologia da obra poética de Armindo Rodrigues, seleccionando 185 poemas de um “monumento de mil seiscentos e tantos poemas” que Armindo Rodrigues escreveu ao longo da sua vida [1904-1993].
Em “Alguns dizeres sobre Armindo Rodrigues e esta antologia“, em jeito de texto introdutório, José Saramago escreve: «A antologia perfeita será provavelmente aquela que, gracas a escrúpulos minuciosos de dosagem, rigorosa equidade e imparcialidade de juízo, consiga apresentar, da produção de qualquer poeta, uma imagem que não, obstante a forçosa abreviação quantitativa, conserve a figuração geral dos temas e dos modos, com entrada proporcional de todos os elementos textuais constituintes da obra. Qualquer coisa, enfim, como uma redução à escala e um quebra-cabeças. Porém, ai de nós, a perfeição não pertence a este mundo, nem sei se a qualquer outro. A perfeita antologia não existe. […] A antologia é o estádio mais avançado da leitura pessoal, maneira particular de apropriação do poema, re-escrita. Mais ainda: é sempre leitura pessoal em conjuntura, tanto do ponto de vista do antologiador como da situação da obra no tempo e da relação do tempo com a obra.»