Numa magnífica tradução de João Barrento, um conjunto de poemas deste poeta "apocalíptico", nascido em Salzburgo em 1887, e que viria a morrer em Cracóvia, vítima de sobredose de cocaína em 1914. Maldito, como Rimbaud, era "como um estrangeiro na sua terra", e a poesia surge como um canto de beleza, narrando o seu desespero, que o amor incestuoso pela irmã e o abuso de drogas acentua e desespera. «Se fosse necessário encontrar um antepassado austríaco da angústia, da melancolia e do pessimismo existencial de obras como as de Thomas Bernhard ou Peter Handke, o nome do poeta Georg Trakl (1887-1914) talvez constituísse uma sugestão adequada. (...) Tratando-se de uma voz essencialmente lírica e atenta às vibrações que o mundo provoca na sua extrema sensibilidade, é sobretudo notável o modo algo diferido de transmitir essa emocionalidade - como se a sua alma apenas quisesse " cantar baixinho" (p. 93) e se fosse criando uma distância de si a si mesmo, um fosso entre as palavras e as "meditações crepusculares do solitário"(p. 97) condenando-as à promessa de um silêncio redentor.» Fernando Pinto do Amaral, Público, "Leituras"
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Numa magnífica tradução de João Barrento, um conjunto de poemas deste poeta "apocalíptico", nascido em Salzburgo em 1887, e que viria a morrer em Cracóvia, vítima de sobredose de cocaína em 1914. Maldito, como Rimbaud, era "como um estrangeiro na sua terra", e a poesia surge como um canto de beleza, narrando o seu desespero, que o amor incestuoso pela irmã e o abuso de drogas acentua e desespera. «Se fosse necessário encontrar um antepassado austríaco da angústia, da melancolia e do pessimismo existencial de obras como as de Thomas Bernhard ou Peter Handke, o nome do poeta Georg Trakl (1887-1914) talvez constituísse uma sugestão adequada. (...) Tratando-se de uma voz essencialmente lírica e atenta às vibrações que o mundo provoca na sua extrema sensibilidade, é sobretudo notável o modo algo diferido de transmitir essa emocionalidade - como se a sua alma apenas quisesse " cantar baixinho" (p. 93) e se fosse criando uma distância de si a si mesmo, um fosso entre as palavras e as "meditações crepusculares do solitário"(p. 97) condenando-as à promessa de um silêncio redentor.» Fernando Pinto do Amaral, Público, "Leituras"