Não se pode ganhar uma partida de xadrez sem o adversário cometa erros. Esta máxima não é apenas verdadeira para o mais subtil e cruel dos jogos que os homens inventaram. Se neste momento a esquerda europeia está,ou parece estar,numa situação particularmente melindrosa,é talvez apenas por ter imaginado que os erros ou pecados políticos,sociais e económicos só podiam ser cometidos pela Direita,ou,talvez melhor,que a Direita é a expressão,nessa ordem,da História como pecado.
«Trata-se do exercício teórico mais sólido e de maior alcance, em Portugal, para pensar a Esquerda, na época do declínio das suas representações políticas e da sua “mitologia cultural”. [... Eduardo Lourenço] moveu-se sempre com extrema lucidez entre os encantos da dialéctica e a suspeita em relação a ela. Esta posição dá-lhe uma agilidade enorme para pensar a Esquerda na época do triunfo do neoliberalismo (para pensar o futuro da Esquerda, hoje) e das sucessivas derrocadas políticas e culturais da referência marxista e, mesmo, da ideia de Socialismo.» António Guerreiro, Expresso
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Não se pode ganhar uma partida de xadrez sem o adversário cometa erros. Esta máxima não é apenas verdadeira para o mais subtil e cruel dos jogos que os homens inventaram. Se neste momento a esquerda europeia está,ou parece estar,numa situação particularmente melindrosa,é talvez apenas por ter imaginado que os erros ou pecados políticos,sociais e económicos só podiam ser cometidos pela Direita,ou,talvez melhor,que a Direita é a expressão,nessa ordem,da História como pecado.
«Trata-se do exercício teórico mais sólido e de maior alcance, em Portugal, para pensar a Esquerda, na época do declínio das suas representações políticas e da sua “mitologia cultural”. [... Eduardo Lourenço] moveu-se sempre com extrema lucidez entre os encantos da dialéctica e a suspeita em relação a ela. Esta posição dá-lhe uma agilidade enorme para pensar a Esquerda na época do triunfo do neoliberalismo (para pensar o futuro da Esquerda, hoje) e das sucessivas derrocadas políticas e culturais da referência marxista e, mesmo, da ideia de Socialismo.» António Guerreiro, Expresso