Prólogo de Luís Alves da Costa
«Quanto a A Memória de Shakespeare, diz Borges tê-lo acompanhado ao longo de grande parte da sua vida. Por outro lado, o inquietante processo de contaminação de uma memória pelas recordações de uma qualquer outra, ainda que de Shakespeare, não deixa aí de me trazer ao espírito o angustiante Inferno de Swedenborg e o seu pretender que, ao morrer, nenhum homem se chegaria a aperceber de que tal lhe tivesse, de facto, sucedido, antes continuando normalmente a prosseguir o curso das suas rotinas, até ao momento em que verificasse que tudo se haveria começado a tornar mais nítido, intenso e lapidar, e só então inexoravelmente invadido pelos anjos e demónios das silenciosas certezas de um limiar sem retorno.» in Prólogo por Luís Alves da Costa
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Prólogo de Luís Alves da Costa
«Quanto a A Memória de Shakespeare, diz Borges tê-lo acompanhado ao longo de grande parte da sua vida. Por outro lado, o inquietante processo de contaminação de uma memória pelas recordações de uma qualquer outra, ainda que de Shakespeare, não deixa aí de me trazer ao espírito o angustiante Inferno de Swedenborg e o seu pretender que, ao morrer, nenhum homem se chegaria a aperceber de que tal lhe tivesse, de facto, sucedido, antes continuando normalmente a prosseguir o curso das suas rotinas, até ao momento em que verificasse que tudo se haveria começado a tornar mais nítido, intenso e lapidar, e só então inexoravelmente invadido pelos anjos e demónios das silenciosas certezas de um limiar sem retorno.» in Prólogo por Luís Alves da Costa