«Mas é entre os textos selecionados que está o melhor de “A paixão pelos livros”. “Bibliomania”, conto de Gustave Flaubert, por exemplo, mostra como o amor desmedido – na verdade, talvez não seja “amor” a palavra, e sim “obsessão” – pelos livros – nesse caso, por uma determinada obra – pode levar um homem à loucura. Já os escritos por José Mindlin e Carlos Drummond de Andrade – respectivamente “Loucura mansa” e “O sebo” – são mais leves e mais românticos. Mindlin diz, a título de gracejo, que o livro é o “Companheiro ideal (…), pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja”. Em seu texto, Drummond também se vale do bom humor, e diz “Lá em casa não cabe mais nem um aviso de conta de luz, tanto mais que as listas telefônicas estão ocupando o lugar dos dicionários, mas o frequentador de sebo leva assim mesmo o volume, que não irá folhear. A mulher espera-o zangada: ‘Trouxe mais uma porcaria para casa!’ Porcaria? Tem um verso que nos comoveu, quando a gente se comovia fácil, tem uma vinheta, um traço particular, um agrado só para nós, e basta”. Figuram, ainda, entre as páginas de “A paixão pelos livros” textos de Michel de Montaigne, Plínio Doyle, Camilo Castelo Branco, Rodrigo Lacerda e outros. A grande surpresa, contudo, vem com o conto de um autor pouco conhecido no Brasil: o norte-americano descendente de armenos William Saroyan.»
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«Mas é entre os textos selecionados que está o melhor de “A paixão pelos livros”. “Bibliomania”, conto de Gustave Flaubert, por exemplo, mostra como o amor desmedido – na verdade, talvez não seja “amor” a palavra, e sim “obsessão” – pelos livros – nesse caso, por uma determinada obra – pode levar um homem à loucura. Já os escritos por José Mindlin e Carlos Drummond de Andrade – respectivamente “Loucura mansa” e “O sebo” – são mais leves e mais românticos. Mindlin diz, a título de gracejo, que o livro é o “Companheiro ideal (…), pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja”. Em seu texto, Drummond também se vale do bom humor, e diz “Lá em casa não cabe mais nem um aviso de conta de luz, tanto mais que as listas telefônicas estão ocupando o lugar dos dicionários, mas o frequentador de sebo leva assim mesmo o volume, que não irá folhear. A mulher espera-o zangada: ‘Trouxe mais uma porcaria para casa!’ Porcaria? Tem um verso que nos comoveu, quando a gente se comovia fácil, tem uma vinheta, um traço particular, um agrado só para nós, e basta”. Figuram, ainda, entre as páginas de “A paixão pelos livros” textos de Michel de Montaigne, Plínio Doyle, Camilo Castelo Branco, Rodrigo Lacerda e outros. A grande surpresa, contudo, vem com o conto de um autor pouco conhecido no Brasil: o norte-americano descendente de armenos William Saroyan.»