«‘Ser uma desconhecida deixa me eufórica.’ Quem já viajou sozinho sabe como essa experiência torna o viajante uma pessoa diferente. As viagens de Jenny Diski (1947 2016) revelam nos mais a respeito da autora do que acerca da América. No ecrã panorâmico do comboio em que percorre os Estados Unidos, ela projecta se a si própria. O livro é um duplo pretexto: para a viagem e para o devaneio. Enclausurada no comboio, vendo desfilar a imensidão americana em cinemascope, Diski descobre que ‘a vida no comboio também é a vida no colégio interno, no convento, na prisão e no hospital psiquiátrico’. Entre devaneios e cigarros, este livro deve muito ao facto de Diski ser fumadora: junto da pequena comunidade dos consumidores de nicotina, a escritora exercita as capacidades de observação e de sociabilidade que descobriu em si, ao atravessar o Atlântico num cargueiro. Perante nós, leitores, passageiros desconhecidos, a loquacidade de Jenny Diski solta se, num confessionalismo que nada tem de narcisista, com a intimidade da distância e a proximidade da literatura.» — Carlos Vaz Marques
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«‘Ser uma desconhecida deixa me eufórica.’ Quem já viajou sozinho sabe como essa experiência torna o viajante uma pessoa diferente. As viagens de Jenny Diski (1947 2016) revelam nos mais a respeito da autora do que acerca da América. No ecrã panorâmico do comboio em que percorre os Estados Unidos, ela projecta se a si própria. O livro é um duplo pretexto: para a viagem e para o devaneio. Enclausurada no comboio, vendo desfilar a imensidão americana em cinemascope, Diski descobre que ‘a vida no comboio também é a vida no colégio interno, no convento, na prisão e no hospital psiquiátrico’. Entre devaneios e cigarros, este livro deve muito ao facto de Diski ser fumadora: junto da pequena comunidade dos consumidores de nicotina, a escritora exercita as capacidades de observação e de sociabilidade que descobriu em si, ao atravessar o Atlântico num cargueiro. Perante nós, leitores, passageiros desconhecidos, a loquacidade de Jenny Diski solta se, num confessionalismo que nada tem de narcisista, com a intimidade da distância e a proximidade da literatura.» — Carlos Vaz Marques