Gente Melancolicamente Louca transporta-nos para um universo psicológico intenso onde o que parece quase nunca é, e onde os desvios contra-intuitivos do enredo desconcertam sistematicamente o leitor. Com uma escrita encantatória, acompanhamos o fluxo de consciência das personagens, cujas vidas se desdobram em episódios cada vez mais inusitados. «Enquanto o sono não vinha e às vezes durante o sono, que não era o sono dela mas o da pessoa em que se transformara ao vestir os seus trajes de noite, Manuela tinha outra família, outro corpo, outros pensamentos, e se em certos aspectos descia a requintes de introspecção e não se importava de gastar noites como se tivesse uma vida de centenária à sua frente, toda entregue ao prazer de compor uma personagem, outras vezes fazia de homem, de mulher, de malandrim, de cigana, de violoncelista, de jogadora de ténis, de cantor de cabaret, de empregada de restaurante, tudo na mesma noite, com o resultado de acordar com umas enormes olheiras e um ódio ao colégio que a faziam desejar um tremor de terra que só a poupasse a ela e à sua cama, único pedaço do mundo seguro e onde arranjava sempre maneira de ser feliz.»
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Gente Melancolicamente Louca transporta-nos para um universo psicológico intenso onde o que parece quase nunca é, e onde os desvios contra-intuitivos do enredo desconcertam sistematicamente o leitor. Com uma escrita encantatória, acompanhamos o fluxo de consciência das personagens, cujas vidas se desdobram em episódios cada vez mais inusitados. «Enquanto o sono não vinha e às vezes durante o sono, que não era o sono dela mas o da pessoa em que se transformara ao vestir os seus trajes de noite, Manuela tinha outra família, outro corpo, outros pensamentos, e se em certos aspectos descia a requintes de introspecção e não se importava de gastar noites como se tivesse uma vida de centenária à sua frente, toda entregue ao prazer de compor uma personagem, outras vezes fazia de homem, de mulher, de malandrim, de cigana, de violoncelista, de jogadora de ténis, de cantor de cabaret, de empregada de restaurante, tudo na mesma noite, com o resultado de acordar com umas enormes olheiras e um ódio ao colégio que a faziam desejar um tremor de terra que só a poupasse a ela e à sua cama, único pedaço do mundo seguro e onde arranjava sempre maneira de ser feliz.»