«Este diário é também um teatro, teatro do ‘eu’, do ego stendhaliano, mais do que do freudiano, mas um teatro com comparsas e figurantes. Há muitas figuras episódicas: assinalam uma amabilidade, uma ambiguidade, um choque, e depois desaparecem. Já os co protagonistas da história, dramatis personæ deste espectáculo, são talvez apenas uns dez ou onze mas estão em todos os meses de todos estes anos, sem nomes, dificilmente identificáveis, mas claramente identificados como o meu mundo, deles e delas vem tudo aquilo que sei acerca do mundo. Em dez anos, só em períodos curtos, e por razões facilmente explicáveis, é que não há ninguém, mas em geral estes exercícios de egotismo vivem em diálogo. Não um diálogo directo com essas pessoas, tento nunca escrever aquilo que posso dizer ao vivo, mas um monólogo dramático onde também lhes dou voz, não conto apenas a minha versão mas também contesto os meus pontos de vista, dos quais, com poucas excepções, raramente estou certo.»
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«Este diário é também um teatro, teatro do ‘eu’, do ego stendhaliano, mais do que do freudiano, mas um teatro com comparsas e figurantes. Há muitas figuras episódicas: assinalam uma amabilidade, uma ambiguidade, um choque, e depois desaparecem. Já os co protagonistas da história, dramatis personæ deste espectáculo, são talvez apenas uns dez ou onze mas estão em todos os meses de todos estes anos, sem nomes, dificilmente identificáveis, mas claramente identificados como o meu mundo, deles e delas vem tudo aquilo que sei acerca do mundo. Em dez anos, só em períodos curtos, e por razões facilmente explicáveis, é que não há ninguém, mas em geral estes exercícios de egotismo vivem em diálogo. Não um diálogo directo com essas pessoas, tento nunca escrever aquilo que posso dizer ao vivo, mas um monólogo dramático onde também lhes dou voz, não conto apenas a minha versão mas também contesto os meus pontos de vista, dos quais, com poucas excepções, raramente estou certo.»