«Essa Dona Ivone era feia, confessemos. Feia que nem cornos. Tão feia que até os postes de iluminação das ruas mais escuras (as únicas onde, colada às paredes e a horas mortas, se atrevia a passear) tinham tendência a desviar-se dela. Daí que a Câmara se visse forçada a substitui-los por postes mais altos e modernos. Uma medida, ditada embora por cautelas autárquicas legítimas, que ficaria para sempre associada à posterior descaracterização estética do burgo. E a maldade humana é tanta que os novos candeeiros passaram a designar-se, mesmo no patuá oficial, por ivones. Não há direito.»
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«Essa Dona Ivone era feia, confessemos. Feia que nem cornos. Tão feia que até os postes de iluminação das ruas mais escuras (as únicas onde, colada às paredes e a horas mortas, se atrevia a passear) tinham tendência a desviar-se dela. Daí que a Câmara se visse forçada a substitui-los por postes mais altos e modernos. Uma medida, ditada embora por cautelas autárquicas legítimas, que ficaria para sempre associada à posterior descaracterização estética do burgo. E a maldade humana é tanta que os novos candeeiros passaram a designar-se, mesmo no patuá oficial, por ivones. Não há direito.»