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Uma breve carta para um longo adeus

LT009593

Peter Handke

Editora Difel
Idioma Português PT
Estado : Usado 4/5
Encadernação : Brochado
Disponib. - Em stock

€12
Mais detalhes
  • Tradutor
  • Maria Adélia Silva Melo
  • Código
  • LT009593
  • Detalhes físicos
  • Nº Páginas
  • 130

Descrição

«Ali, após todo o barulho anterior, havia um tal sossego que a pessoa pensava que estava a sonhar e esfregava os olhos. Olhava para trás praticamente a cada passo que dava. Pensei que o meu duplo me saltaria em cima por trás de cada barraca de chapa ondulada para me caçar! Eu não tinha o direito de ser o meu representante, eu tinha cometido uma fraude: ele voltava agora para tomar o seu lugar. Eu teria de me abandonar e deixar de estar à mão. De uma chaminé negra que servia de fogão, saiu de repente fuligem pela janela de uma barraca, um cão rastejou ao virar uma esquina. Eu era um aldrabão, tinha-me instalado no lugar de outra pessoa. O que é que eu podia fazer de mim? Eu era a mais: tinha entrado furtivamente em qualquer coisa, e fui apanhado. A pessoa ainda se podia salvar com um salto. Mas eu fiquei parado, com os punhos cerrados, disfarçado com o meu chapéu de palha. A sensação de não ser quem devia ser foi, no entanto, tão breve que me pareceu logo a seguir que não tinha sido mais do que um estado de espírito. Só mais tarde me lembrei que em criança eu tinha desejado ter um duplo, uma outra pessoa tal como eu: o facto de eu entretanto recuar perante a ideia de um duplo pareceu-me de novo um bom sinal. A imagem de alguém parecido comigo apenas me causava repugnância. Seria obsceno ver alguém com os meus gestos. Já a silhueta da minha sombra me parecia agora inconveniente. Nem mais um pensamento para um corpo assim, para uma goela assim. Tive de dar alguns passos a correr.»

Uma breve carta para um longo adeus

€12

LT009593

Peter Handke
Editora Difel
Idioma Português PT
Estado : Usado 4/5
Encadernação : Brochado
Disponib. - Em stock

Mais detalhes
  • Tradutor
  • Maria Adélia Silva Melo
  • Código
  • LT009593
  • Detalhes físicos

  • Nº Páginas
  • 130
Descrição

«Ali, após todo o barulho anterior, havia um tal sossego que a pessoa pensava que estava a sonhar e esfregava os olhos. Olhava para trás praticamente a cada passo que dava. Pensei que o meu duplo me saltaria em cima por trás de cada barraca de chapa ondulada para me caçar! Eu não tinha o direito de ser o meu representante, eu tinha cometido uma fraude: ele voltava agora para tomar o seu lugar. Eu teria de me abandonar e deixar de estar à mão. De uma chaminé negra que servia de fogão, saiu de repente fuligem pela janela de uma barraca, um cão rastejou ao virar uma esquina. Eu era um aldrabão, tinha-me instalado no lugar de outra pessoa. O que é que eu podia fazer de mim? Eu era a mais: tinha entrado furtivamente em qualquer coisa, e fui apanhado. A pessoa ainda se podia salvar com um salto. Mas eu fiquei parado, com os punhos cerrados, disfarçado com o meu chapéu de palha. A sensação de não ser quem devia ser foi, no entanto, tão breve que me pareceu logo a seguir que não tinha sido mais do que um estado de espírito. Só mais tarde me lembrei que em criança eu tinha desejado ter um duplo, uma outra pessoa tal como eu: o facto de eu entretanto recuar perante a ideia de um duplo pareceu-me de novo um bom sinal. A imagem de alguém parecido comigo apenas me causava repugnância. Seria obsceno ver alguém com os meus gestos. Já a silhueta da minha sombra me parecia agora inconveniente. Nem mais um pensamento para um corpo assim, para uma goela assim. Tive de dar alguns passos a correr.»