Notas e textos sobre a exportação do vinho para África.
Porquê um pequeno volume dedicado ao problema da exportação do vinho português para Moçambique? Na realidade, este problema — porque também é um problema! — envolve muito mais que tal enunciação pode deixar perceber e a sua análise implica, por igual, a análise de todo o processo de relações metrópole-colónia. Quem tiver oportunidade de manusear não mais que as publicações — e na generalidade publicações de departamentos oficiais — dos nossos colonialistas de nome mais acreditado na praça própria, do último quartel do sec. XIX até aos nossos dias, surpreende-se com a linguagem monocórdica no tratamento do problema que envolve o consumo de álcool pelos africanos e a exportação do vinho metropolitano para Angola e Moçambique.
Ora, a colocação deste assunto corre de par com a da contradição mais flagrante nas relações Metrópole — Colónias: a que se expressa na área económica. E não é que se integre nela como uma questão menor. Pelo contrário, é o tema que, de tempos a tempos, vem monopolizando a atenção dos administradores da coisa pública, do comércio e, correspondentemente, da imprensa. Como se nos atigura, o caso do vinho, do «vinho para o preto», designação do final do séc. XIX, tipifica, por amostragem, mas claramente, toda uma situação global de relações económicas.
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Notas e textos sobre a exportação do vinho para África.
Porquê um pequeno volume dedicado ao problema da exportação do vinho português para Moçambique? Na realidade, este problema — porque também é um problema! — envolve muito mais que tal enunciação pode deixar perceber e a sua análise implica, por igual, a análise de todo o processo de relações metrópole-colónia. Quem tiver oportunidade de manusear não mais que as publicações — e na generalidade publicações de departamentos oficiais — dos nossos colonialistas de nome mais acreditado na praça própria, do último quartel do sec. XIX até aos nossos dias, surpreende-se com a linguagem monocórdica no tratamento do problema que envolve o consumo de álcool pelos africanos e a exportação do vinho metropolitano para Angola e Moçambique.
Ora, a colocação deste assunto corre de par com a da contradição mais flagrante nas relações Metrópole — Colónias: a que se expressa na área económica. E não é que se integre nela como uma questão menor. Pelo contrário, é o tema que, de tempos a tempos, vem monopolizando a atenção dos administradores da coisa pública, do comércio e, correspondentemente, da imprensa. Como se nos atigura, o caso do vinho, do «vinho para o preto», designação do final do séc. XIX, tipifica, por amostragem, mas claramente, toda uma situação global de relações económicas.