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Wiriyamu – Adrian Hastings

LT008584
1974
Adrian Hastings

Editora Afrontamento
Idioma Português PT
Estado : Usado 3/5
Encadernação : Brochado
Disponib. - Em stock

€16
Mais detalhes
  • Ano
  • 1974
  • Tradutor
  • Graça Abranches, Isabel Mota
  • Código
  • LT008584
  • Detalhes físicos
  • Nº Páginas
  • 148

Descrição

«No dia 14 de Dezembro de 1972, um avião português, de pequeno porte, foi “atingido por um tiro quando viajava da cidade da Beira para Tete, uma cidade do interior de Moçambique situada junto ao rio Zambeze, cerca de noventa a cem quilómetros abaixo da barragem de Cabora Bassa. Acontece que, esse pequeno avião civil apesar de atingido (por um único tiro) aterrou sem novidade no aeroporto de Tete, tendo os seus ocupantes apresentado queixa às autoridades militares e à PIDE/DGS da mesma cidade. Feito o estudo do local onde o avião tinha sido atingido, chegou-se à “conclusão que o ataque teria partido de uma área aproximada que abrangia as aldeias de WIRIAMU, CHAWOLA e JUMAU. Logo no dia seguinte, a DGS nomeou um dos seus agentes de nome Chico Kachavi, torturador profissional da prisão de Tete e já responsável pelo espancamento de outras populações. Era um indivíduo sem qualquer espécie de escrúpulos, munido de uma força descomunal que se dizia que conseguia matar qualquer pessoa com um único murro na cabeça. Este célebre jagunço negro, em Abril de 1971, na companhia de um inspector branco da mesma famigerada polícia, tinha espancado quase até à morte um catequista católico que só escapou graças à intervenção de vários missionários que terão chegado a tempo de lhe salvar a vida. Assim, não admira que tenha sido este bandido o escolhido vara proceder a averiguações nas referidas localidades. Claro que não conseguiu a mais leve informação, e nem outra coisa seria de esperar. Em Tete e qualquer outro ponto de Moçambique, as populações negras estavam solidárias com a Frelimo, além de que semelhante personagem não devia saber convencer sem ser através da tortura. Como Chico Kachavi nada conseguiu, as autoridades militares resolveram enviar uma patrulha do Exército para proceder a averiguações, que acabou por cair na emboscada da Frelimo, montada junto à aldeia de Corneta, situada perto da estrada Beira-Tete. Como represália, a força militar incendiou a aldeia, mas toda a população conseguiu fugir para o mato, não sofrendo qualquer dano, para além da perda de todos os seus haveres. Foi então resolvido pelas autoridades militares do "sector" dar uma forte lição às populações da zona. Uma lição terrível que ninguém mais esqueceria. E aqueles que viveram para poderem recordar não esquecerão jamais aquele dia fatídico de 16 de Dezembro de 1972. A acção teve lugar na tarde do dia 16 com o lançamento de algumas bombas, por dois aviões, sobre a maior povoação que era Wiriamu. Acabado o bombardeamento, a aldeia foi tomada de assalto por ''Comandos"' helitransportados e parece que também por um grupo dos tais "GEPS" (Grupos Especiais de Paraquedistas) de Jorge Jardim, não esquecendo um grande número de agentes da Pide onde pontificava, como não podia deixar de ser, o tal Chico Kachavi. Cercada a aldeia a população: homens, mulheres e crianças foram alinhadas no largo da aldeia e prontamente fuziladas, tendo muitas pessoas sido empurradas para dentro das cubatas e queimadas conjuntamente com elas. Isto, enquanto alguns soldados (e talvez não só soldados) iniciavam um desafio de futebol, em que as bolas eram, simplesmente, crianças.

Segundo o Padre católico Adrian Hastings, no seu relatório à ONU, sobre os referidos massacres, mais tarde transposto para o livro editado em Portugal pelo "Afrontamento!" cujo título é precisamente "WIRIAMU", diz a determinada altura. “Um grupo de soldados juntou uma parte do povo num pátio para o fuzilamento. O povo assim reunido foi obrigado sentar-se em dois grupos: o grupo dos homens de um lado e o das mulheres noutro, a fim de poderem todos ver melhor como iam caindo os fuzilados. Um soldado chamava por sinal a quem quisesse (quer homem, quer mulher, quer criança). O designado punha-se de pé, destacava-se do conjunto,o soldado disparava sobre ele e a vitima caía fulminada”.» por Carmo Vicente, in esquerda.net

Wiriyamu – Adrian Hastings

€16

LT008584
1974
Adrian Hastings
Editora Afrontamento
Idioma Português PT
Estado : Usado 3/5
Encadernação : Brochado
Disponib. - Em stock

Mais detalhes
  • Ano
  • 1974
  • Tradutor
  • Graça Abranches, Isabel Mota
  • Código
  • LT008584
  • Detalhes físicos

  • Nº Páginas
  • 148
Descrição

«No dia 14 de Dezembro de 1972, um avião português, de pequeno porte, foi “atingido por um tiro quando viajava da cidade da Beira para Tete, uma cidade do interior de Moçambique situada junto ao rio Zambeze, cerca de noventa a cem quilómetros abaixo da barragem de Cabora Bassa. Acontece que, esse pequeno avião civil apesar de atingido (por um único tiro) aterrou sem novidade no aeroporto de Tete, tendo os seus ocupantes apresentado queixa às autoridades militares e à PIDE/DGS da mesma cidade. Feito o estudo do local onde o avião tinha sido atingido, chegou-se à “conclusão que o ataque teria partido de uma área aproximada que abrangia as aldeias de WIRIAMU, CHAWOLA e JUMAU. Logo no dia seguinte, a DGS nomeou um dos seus agentes de nome Chico Kachavi, torturador profissional da prisão de Tete e já responsável pelo espancamento de outras populações. Era um indivíduo sem qualquer espécie de escrúpulos, munido de uma força descomunal que se dizia que conseguia matar qualquer pessoa com um único murro na cabeça. Este célebre jagunço negro, em Abril de 1971, na companhia de um inspector branco da mesma famigerada polícia, tinha espancado quase até à morte um catequista católico que só escapou graças à intervenção de vários missionários que terão chegado a tempo de lhe salvar a vida. Assim, não admira que tenha sido este bandido o escolhido vara proceder a averiguações nas referidas localidades. Claro que não conseguiu a mais leve informação, e nem outra coisa seria de esperar. Em Tete e qualquer outro ponto de Moçambique, as populações negras estavam solidárias com a Frelimo, além de que semelhante personagem não devia saber convencer sem ser através da tortura. Como Chico Kachavi nada conseguiu, as autoridades militares resolveram enviar uma patrulha do Exército para proceder a averiguações, que acabou por cair na emboscada da Frelimo, montada junto à aldeia de Corneta, situada perto da estrada Beira-Tete. Como represália, a força militar incendiou a aldeia, mas toda a população conseguiu fugir para o mato, não sofrendo qualquer dano, para além da perda de todos os seus haveres. Foi então resolvido pelas autoridades militares do "sector" dar uma forte lição às populações da zona. Uma lição terrível que ninguém mais esqueceria. E aqueles que viveram para poderem recordar não esquecerão jamais aquele dia fatídico de 16 de Dezembro de 1972. A acção teve lugar na tarde do dia 16 com o lançamento de algumas bombas, por dois aviões, sobre a maior povoação que era Wiriamu. Acabado o bombardeamento, a aldeia foi tomada de assalto por ''Comandos"' helitransportados e parece que também por um grupo dos tais "GEPS" (Grupos Especiais de Paraquedistas) de Jorge Jardim, não esquecendo um grande número de agentes da Pide onde pontificava, como não podia deixar de ser, o tal Chico Kachavi. Cercada a aldeia a população: homens, mulheres e crianças foram alinhadas no largo da aldeia e prontamente fuziladas, tendo muitas pessoas sido empurradas para dentro das cubatas e queimadas conjuntamente com elas. Isto, enquanto alguns soldados (e talvez não só soldados) iniciavam um desafio de futebol, em que as bolas eram, simplesmente, crianças.

Segundo o Padre católico Adrian Hastings, no seu relatório à ONU, sobre os referidos massacres, mais tarde transposto para o livro editado em Portugal pelo "Afrontamento!" cujo título é precisamente "WIRIAMU", diz a determinada altura. “Um grupo de soldados juntou uma parte do povo num pátio para o fuzilamento. O povo assim reunido foi obrigado sentar-se em dois grupos: o grupo dos homens de um lado e o das mulheres noutro, a fim de poderem todos ver melhor como iam caindo os fuzilados. Um soldado chamava por sinal a quem quisesse (quer homem, quer mulher, quer criança). O designado punha-se de pé, destacava-se do conjunto,o soldado disparava sobre ele e a vitima caía fulminada”.» por Carmo Vicente, in esquerda.net