Em "Libertação da Peste", António Osório, que agora comemora 30 anos sobre o lançamento do seu primeiro livro, "A Raiz Afectuosa" (disponível no 1º vol. Da sua obra poética, na mesma editora), junta poemas e alguns textos em prosa, de carácter ensaístico. O poeta falava assim deste seu novo livro ao JL (17/4/02): "Além de outras vivências e evocações, como a de António Sérgio e Montale, avulta neste levro a 'Grécia Secreta', da qual Orfeu é um dos heróis fundadores. Ressoam a voz e os hinos de Orfeu, cuja cabeça arrastada pelo mar, não sofreu nenhuma das 'marcas infamantes da morte'; pelo contrário, resplandecia e cantava. Também se ouvem os poetas gregos, na maioria anónimos, que escreviam epitáfios inscritos nas pedras dos túmulos, e cujos versos constituem um capítulo inestimável da poesia dita 'primitiva'. Ao nosso mundo desapiedado regressa assim, com pena, essa poesia - das antiquíssimas trovas portuguesas às suas correspondentes brasileiras, dos lamentos dos índios americanos aos cantos amorosos de esquimós, de senegaleses, de tantos mais. A poesia liberta da peste do tempo, porque é a palavra inapagável que se aproxima e purifica os homens, os de ontem, de hoje, de sempre."
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Em "Libertação da Peste", António Osório, que agora comemora 30 anos sobre o lançamento do seu primeiro livro, "A Raiz Afectuosa" (disponível no 1º vol. Da sua obra poética, na mesma editora), junta poemas e alguns textos em prosa, de carácter ensaístico. O poeta falava assim deste seu novo livro ao JL (17/4/02): "Além de outras vivências e evocações, como a de António Sérgio e Montale, avulta neste levro a 'Grécia Secreta', da qual Orfeu é um dos heróis fundadores. Ressoam a voz e os hinos de Orfeu, cuja cabeça arrastada pelo mar, não sofreu nenhuma das 'marcas infamantes da morte'; pelo contrário, resplandecia e cantava. Também se ouvem os poetas gregos, na maioria anónimos, que escreviam epitáfios inscritos nas pedras dos túmulos, e cujos versos constituem um capítulo inestimável da poesia dita 'primitiva'. Ao nosso mundo desapiedado regressa assim, com pena, essa poesia - das antiquíssimas trovas portuguesas às suas correspondentes brasileiras, dos lamentos dos índios americanos aos cantos amorosos de esquimós, de senegaleses, de tantos mais. A poesia liberta da peste do tempo, porque é a palavra inapagável que se aproxima e purifica os homens, os de ontem, de hoje, de sempre."