«Neste livro encontram-se três tradições intelectuais: o judaísmo libertário de cultura alemã, o Romantismo de inspiração socialista de um grupo de historiadores e cientistas sociais britânicos e, last but not least, um marxismo especificamente latino-americano, forjado nas dinâmicas histórico-sociológicas da região que se estende de Buenos Aires a Havana. Interpelando cada uma destas tradições, Michael Löwy tem vindo a cultivar um tipo de sensibilidade utópica particular, de perfil marxista mas pouco dada a celebrar «os amanhãs que cantam». As utopias que o atraem não se projetam no futuro radioso a que a marcha da História nos conduzirá, mas em tempos passados que o Progresso deu por mortos e enterrados. São elas, entre outras, a utopia de Ernst Bloch, que encontrou alento revolucionário na cultura cristã medieval e na arte gótica; a utopia de William Morris, que fez da Inglaterra pré-industrial o seu paraíso; ou, ainda, a utopia de José Carlos Mariátegui, o militante peruano cujas aspirações comunistas levaram de volta ao comunitarismo inca. Este é, enfim, um livro acerca de utopia e de marxismo, mas também sobre romantismo, como se a nostalgia por um mundo anterior aos processos de modernização pudesse caminhar lado a lado com a revolta contra o capitalismo moderno.» Da Apresentação de José Neves, que também seleccionou os textos do volume.
«Neste livro encontram-se três tradições intelectuais: o judaísmo libertário de cultura alemã, o Romantismo de inspiração socialista de um grupo de historiadores e cientistas sociais britânicos e, last but not least, um marxismo especificamente latino-americano, forjado nas dinâmicas histórico-sociológicas da região que se estende de Buenos Aires a Havana. Interpelando cada uma destas tradições, Michael Löwy tem vindo a cultivar um tipo de sensibilidade utópica particular, de perfil marxista mas pouco dada a celebrar «os amanhãs que cantam». As utopias que o atraem não se projetam no futuro radioso a que a marcha da História nos conduzirá, mas em tempos passados que o Progresso deu por mortos e enterrados. São elas, entre outras, a utopia de Ernst Bloch, que encontrou alento revolucionário na cultura cristã medieval e na arte gótica; a utopia de William Morris, que fez da Inglaterra pré-industrial o seu paraíso; ou, ainda, a utopia de José Carlos Mariátegui, o militante peruano cujas aspirações comunistas levaram de volta ao comunitarismo inca. Este é, enfim, um livro acerca de utopia e de marxismo, mas também sobre romantismo, como se a nostalgia por um mundo anterior aos processos de modernização pudesse caminhar lado a lado com a revolta contra o capitalismo moderno.» Da Apresentação de José Neves, que também seleccionou os textos do volume.